Encanecer

O Jorge lançou o desafio e eu fiquei a pensar no assunto. Aqui fica um bocadinho (pequenino) do tanto que pode ser dito sobre o tema.
O Daniel tinha uns vinte e quatro ou vinte e cinco anos, estudava medicina em Lisboa. Lembro-me de o ver de vez em quando nos fins de semana em que voltava a casa dos pais, nossos vizinhos. Eu tinha uns cinco e achava-o imensamente adulto, sendo que “adulto” era a figura do pai e da mãe, do que de mais respeitável e responsável pode existir. Hoje tenho trinta e acho que sou uma miúda. O pior (ou melhor) é que me parece que vou sentir-me assim ainda por muito tempo - assim o espero.
Obviamente que a noção que temos das coisas se altera com o passar dos anos, mas uma vez aqui chegada nada vejo do que esperava encontrar, apesar de o inexorável passar do tempo não perder oportunidades para ir deixando as suas marcas. E vou tomando consciência disso quando me apercebo de que já sou tratada por “senhora” mais vezes do que por “menina”.
O tanto que mudou no mundo num espaço de trinta anos! Antigamente as pessoas chegavam aos oitenta e deixavam para trás uma prole que os acarinhava na velhice e na quase inevitável doença. Hoje, cada vez mais, morre-se aos trinta com AVC, aos quarenta com um enfarte, ou muito pior, aos vinte num acidente de viação.
A forma como vivemos hoje em dia atira-nos para esta ratoeira. Nada me assusta mais do que uma vida ceifada pelo caule.
É difícil, se não impossível, dizer se seremos/seríamos felizes aos oitenta, mas acho que todos gostamos de pensar numa velhice tranquila e com muito amor e a saúde possível. Até lá, que o caminho seja o que tiver de ser, encanecendo aos poucos.
Pedra Pomes


4 Comments:
Este tema dá que pensar. Também a mim me assusta!
Mas nada mais há a fazer do que ir vivendo da forma que melhor soubermos e/ou conseguirmos.
A actual vida stressante destrói-nos a vida mais rapidamente.
Por isso mesmo é importante cada momento. :)
CA é verdade, nada podemos fazer a não ser isso mesmo, aproveitar ao máximo, o pior é que nem sempre o fazemos não é? talvez nos esqueçamos de o fazer, com tanta azáfama e preocupações...
Maria Árvore não posso concordar mais contigo, a vida é feita de momentos, todos eles importantes.
Obrigada pela visita :)
Eu com a vidinha que levei e levo de vez em quando não sei se chegarei aos 80 mas se chegar quero é que seja com dignidade, tão difícil de ir mantendo nesta vidinha tantas vezes ingrata.
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