<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974</id><updated>2011-12-01T03:43:32.397Z</updated><title type='text'>Blog de Pedra</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-112626094591478220</id><published>2005-09-09T11:15:00.000+01:00</published><updated>2005-09-09T11:15:45.923+01:00</updated><title type='text'>Já gastámos as palavras</title><content type='html'>Adeus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,&lt;br /&gt;e o que nos ficou não chega&lt;br /&gt;para afastar o frio de quatro paredes.&lt;br /&gt;Gastámos tudo menos o silêncio.&lt;br /&gt;Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,&lt;br /&gt;gastámos as mãos à força de as apertarmos,&lt;br /&gt;gastámos o relógio e as pedras das esquinas&lt;br /&gt;em esperas inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.&lt;br /&gt;Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;&lt;br /&gt;era como se todas as coisas fossem minhas:&lt;br /&gt;quanto mais te dava mais tinha para te dar.&lt;br /&gt;Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.&lt;br /&gt;E eu acreditava.&lt;br /&gt;Acreditava,&lt;br /&gt;porque ao teu lado&lt;br /&gt;todas as coisas eram possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso era no tempo dos segredos,&lt;br /&gt;era no tempo em que o teu corpo era um aquário,&lt;br /&gt;era no tempo em que os meus olhos&lt;br /&gt;eram realmente peixes verdes.&lt;br /&gt;Hoje são apenas os meus olhos.&lt;br /&gt;É pouco mas é verdade,&lt;br /&gt;uns olhos como todos os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras.&lt;br /&gt;Quando agora digo: meu amor,&lt;br /&gt;já não se passa absolutamente nada.&lt;br /&gt;E no entanto, antes das palavras gastas,&lt;br /&gt;tenho a certeza&lt;br /&gt;de que todas as coisas estremeciam&lt;br /&gt;só de murmurar o teu nome&lt;br /&gt;no silêncio do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temos já nada para dar.&lt;br /&gt;Dentro de ti&lt;br /&gt;não há nada que me peça água.&lt;br /&gt;O passado é inútil como um trapo.&lt;br /&gt;E já te disse: as palavras estão gastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         Eugénio de Andrade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-112626094591478220?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/112626094591478220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=112626094591478220&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/112626094591478220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/112626094591478220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/09/j-gastmos-as-palavras.html' title='Já gastámos as palavras'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111701882510040827</id><published>2005-05-25T11:54:00.000+01:00</published><updated>2005-05-25T12:40:16.750+01:00</updated><title type='text'>1980</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;A&lt;/span&gt; modorra das duas da tarde apanhara-o no banco de madeira onde se instalara, por baixo do sobreiro solitário que crescera na beira da estrada, à saída da vila. Tirara a boina de fazenda deixando à mostra uma cabeleira esparsa por onde se entrevia um escalpe vermelho como, de resto, o era todo o rosto já frisado do Ti’Jacinto Flores.&lt;br /&gt;As folhas do jornal desportivo com que se entretinha e de cujas notícias apenas conseguia ler os títulos, curta que era já a sua visão, elevavam-se suavemente com a ligeira brisa quente que afagava todo o baixo Alentejo nos meses de Verão.&lt;br /&gt;Àquela hora poucos eram os que se atreviam a transitar pelas ruas da vila e enfrentar a soleira escaldante, de modo que apenas quando o comércio reabria as portas, a partir das três da tarde, alguma agitação começava a mover nas artérias da parte nova onde os prédios mais altos tinham já quatro andares.&lt;br /&gt;Naquela década de oitenta que se iniciava Ti’Jacinto Flores sentia que muita coisa mudava por aqueles lados. A Revolução, que seis anos antes trouxera a liberdade e a esperança no progresso e num Alentejo próspero, devolvera à terra alguns milhares e &lt;em&gt;retornados &lt;/em&gt;de África e outros que, não sendo da terra, lá se instalaram, atraídos pela nova indústria que se fixava no litoral e que, pensava ele, era como uma cruel madrasta que com uma mão trazia o desenvolvimento e com a outra expropriava terras a quem as cultivava.&lt;br /&gt;Sim, muita coisa haveria de mudar e no ar sentia-se aquela tensão que acompanha as coisas importantes e marcantes. Nas esplanadas que iam surgindo nos largos da vila a nova burguesia emergente exibia novos hábitos e modelos importados de Lisboa enquanto convivia com a classe mais modesta que lhes invejava os modos e os haveres e para quem ir à Capital era mais ou menos como fazer a viagem das suas vidas.&lt;br /&gt;Azedumes à parte, o facto, pensava Ti’Jacinto Flores, é que o capital ia dando o ar da sua graça por ali e iam surgindo cada vez mais automóveis - “E pensar que a primeira máquina que existiu em Portugal foi trazida para o Alentejo por um tal de Conde d’Avilez! Naquela altura era coisa tão estranha que muitos se assustavam quando passava, pensando que era obra do demo, e logo na primeira viagem o Conde, pouco habituado à condução, atropelou um pobre burro que se lhe atravessou ao caminho”.&lt;br /&gt;Agora havia também muito mais crianças na vila, de tal forma que a Câmara até mandara construir uma nova escola. Os miúdos passavam aos molhos ao fim da manhã e depois ao fim da tarde no Largo dos Combatentes. Era como um bálsamo de vida aquela vaga de gritos, gargalhadas, saltos e correrias. Ti’Jacinto Flores era daqueles que lhes atirava disfarçadamente com moedas de dois e quinhentos que os gaiatos, em estupefacção e fascínio, pensavam vir do espaço onde algum astronauta as deixara cair do bolso.&lt;br /&gt;Deu por si a sorrir. Ti’Jacinto Flores amava o Alentejo, amava a sua terra, os seus cheiros, os abafos do Verão e as rijezas do Inverno, e todas as suas cores e nuances – as antigas e as novas, a sua gente, a sua beleza e aquela modorra das duas da tarde.&lt;br /&gt;Levantou-se, inspirou profundamente, colocou a sua boina de fazenda e pôs-se a caminho do fresquinho de sua casa, apoiado no seu cajado, cumprimentando a todos com quantos se cruzava. Era um costume simpático e familiar esse – toda a gente se cumprimentava na rua, os conhecidos e os estranhos. Hoje já não é assim. Tanto que já não é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111701882510040827?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111701882510040827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111701882510040827&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111701882510040827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111701882510040827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/1980.html' title='1980'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111651183562778660</id><published>2005-05-19T15:02:00.000+01:00</published><updated>2005-05-19T15:29:47.926+01:00</updated><title type='text'>I'm watching you</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://mission.blackfoot.net/STUDENTS/Web%20Pages/Amanda%20Miller/Leopards_files/image020.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Se não tens nada de jeito para dizer mais vale que fiques calada&lt;/em&gt;", é o que tenho repetido para mim própria diversas vezes ao longo dos últimos dias, por isso, e dado que a inspiração "foi ali já vem" (espero eu), vou ficar por aqui, caladinha, de olho em vocês.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111651183562778660?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111651183562778660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111651183562778660&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111651183562778660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111651183562778660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/im-watching-you.html' title='I&apos;m watching you'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111623519710012958</id><published>2005-05-16T10:18:00.000+01:00</published><updated>2005-05-16T10:19:57.110+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.all2know.com/sv/media/d/dc/sl_benfica.png" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111623519710012958?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111623519710012958/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111623519710012958&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111623519710012958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111623519710012958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111591326158323480</id><published>2005-05-12T16:44:00.000+01:00</published><updated>2005-05-12T17:47:10.090+01:00</updated><title type='text'>Encanecer</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.neatsolutions.com/images/Tools/old_lady.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O &lt;a href="http://www.6em1.blogspot.com/" target="blank"&gt;Jorge&lt;/a&gt; lançou o desafio e eu fiquei a pensar no assunto. Aqui fica um bocadinho (pequenino) do tanto que pode ser dito sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Daniel tinha uns vinte e quatro ou vinte e cinco anos, estudava medicina em Lisboa. Lembro-me de o ver de vez em quando nos fins de semana em que voltava a casa dos pais, nossos vizinhos. Eu tinha uns cinco e achava-o imensamente adulto, sendo que “adulto” era a figura do pai e da mãe, do que de mais respeitável e responsável pode existir. Hoje tenho trinta e acho que sou uma miúda. O pior (ou melhor) é que me parece que vou sentir-me assim ainda por muito tempo - assim o espero.&lt;br /&gt;Obviamente que a noção que temos das coisas se altera com o passar dos anos, mas uma vez aqui chegada nada vejo do que esperava encontrar, apesar de o inexorável passar do tempo não perder oportunidades para ir deixando as suas marcas. E vou tomando consciência disso quando me apercebo de que já sou tratada por “senhora” mais vezes do que por “menina”.&lt;br /&gt;O tanto que mudou no mundo num espaço de trinta anos! Antigamente as pessoas chegavam aos oitenta e deixavam para trás uma prole que os acarinhava na velhice e na quase inevitável doença. Hoje, cada vez mais, morre-se aos trinta com AVC, aos quarenta com um enfarte, ou muito pior, aos vinte num acidente de viação.&lt;br /&gt;A forma como vivemos hoje em dia atira-nos para esta ratoeira. Nada me assusta mais do que uma vida ceifada pelo caule.&lt;br /&gt;É difícil, se não impossível, dizer se seremos/seríamos felizes aos oitenta, mas acho que todos gostamos de pensar numa velhice tranquila e com muito amor e a saúde possível. Até lá, que o caminho seja o que tiver de ser, encanecendo aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Pedra Pomes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111591326158323480?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111591326158323480/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111591326158323480&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111591326158323480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111591326158323480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/encanecer.html' title='Encanecer'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111581074643062816</id><published>2005-05-11T11:45:00.000+01:00</published><updated>2005-05-11T12:45:34.903+01:00</updated><title type='text'>E ainda a música</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Gosto mesmo desta música! para a ilustrar escolhi esta imagem:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.johnstevenson-gallery.com/Images/sacabo/dreamer_woman1.jpg" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;"Mary" &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;I love the tone that's in your laugh&lt;br /&gt;Gasping for an extra breath&lt;br /&gt;Waiting for the time to pass&lt;br /&gt;I believe in days ahead&lt;br /&gt;Don't spend another night alone&lt;br /&gt;Cross and wishing you were dead&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary, you should'nt let 'em make you mad&lt;br /&gt;You hold the best you can&lt;br /&gt;And Mary, after all the pain is gone&lt;br /&gt;I'm always gonna live to be your man&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I've had it easy now you see&lt;br /&gt;When I'm down your'e always there&lt;br /&gt;Standing by to comfort me&lt;br /&gt;Someday we'll go round the world&lt;br /&gt;I'll make the journey so sublime&lt;br /&gt;I know you're not a travelln' girl&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary, you should'nt let 'em make you mad&lt;br /&gt;You hold the best you can&lt;br /&gt;And Mary, after all the pain is gone&lt;br /&gt;I'm always gonna live to be your man&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cause I'd give everything I have&lt;br /&gt;Forget all the things that bring me joy&lt;br /&gt;If you could have one day&lt;br /&gt;Pure and simple happiness&lt;br /&gt;Until that moment comes&lt;br /&gt;I'll be here where I've always been&lt;br /&gt;I'm gonna be your friend&lt;br /&gt;Until the day I die&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary, you should'nt let 'em make you mad&lt;br /&gt;You hold the best you can&lt;br /&gt;And Mary, after all the pain is gone&lt;br /&gt;I'm always gonna live to be your man&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Canção: &lt;strong&gt;Mary&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Scissor Sisters&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.scissorsisters.com/main.php" target="blank"&gt;Aqui&lt;/a&gt; podem ver e ouvir o video.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A imagem foi retirada &lt;a href="http://www.johnstevenson-gallery.com/" target="blank"&gt;daqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;As fotos são fabulosas, vale a pena ver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111581074643062816?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111581074643062816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111581074643062816&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111581074643062816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111581074643062816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/e-ainda-msica.html' title='E ainda a música'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111572183556406648</id><published>2005-05-10T11:40:00.000+01:00</published><updated>2005-05-10T11:49:39.596+01:00</updated><title type='text'>Killing me softly</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ou o que Roberta Flack pode ter a ver com o Metropolitano de Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.umassd.edu/commencement/2003/images/robertaflack.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto muito de saxofone. Infelizmente não sei tocar, mas aprecio bastante a sonoridade. Acho-a quente e sensual, capaz de trazer um intimismo reconfortante a um ambiente frio e impessoal. Imagino-o tocado nas ruas da cidade numa noite chuvosa de Inverno ou num vão de escada onde a escuridão é cortada apenas por um fino feixe de luz laranja vindo sabe-se lá de onde. Num acometimento de romantismo consigo ainda colocar um saxofonista à beira rio numa noite de luar debitando notas em direcção às águas ondulantes em tons de preto e prata.&lt;br /&gt;Perdoem-me os eruditos mas é também por este misticismo quase cinematográfico, de cores quentes e frias e de cenários, que gosto de saxofone e é por causa do saxofone que gosto de algum Soul e de algum Jazz, ressalvando a minha total ignorância na matéria. Gosto de ouvir e pronto.&lt;br /&gt;E foi por tudo isto que agradavelmente me surpreendi quando há dias entrei numa carruagem de metro apinhada, entre diversos &lt;em&gt;com licença&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;desculpe&lt;/em&gt;, procurando um espacinho onde pudesse assegurar a função vital que constitui o acto de respirar e maldizendo o meu livre arbítrio por não ter esperado pela próxima composição, quiçá um pouco mais liberta daquela mole que eu considero sempre, lamento, pegajosa.&lt;br /&gt;Estava prestes a contrair um mau humor que certamente se faria sentir o resto do dia, quando, vindo mesmo ali do lado, o som do &lt;em&gt;sax&lt;/em&gt; brindou a todos com um &lt;em&gt;Killing me softly&lt;/em&gt;, da Roberta Flack, excelentemente executado.&lt;br /&gt;Ao senhor que proporcionou aquele momento e que me fez ficar a pensar nas coisas que nos dão prazer e que aparecem &lt;em&gt;out of the blue&lt;/em&gt; quando menos esperamos, para nos deixar de boa disposição, o meu sincero Obrigado. Percebi que não era português, por isso aqui lhe deixo os meus votos para que volte mais vezes.&lt;br /&gt;Quanto à mole, dispersou duas ou três paragens depois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111572183556406648?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111572183556406648/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111572183556406648&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111572183556406648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111572183556406648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/killing-me-softly.html' title='Killing me softly'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111539404737107915</id><published>2005-05-06T16:37:00.000+01:00</published><updated>2005-05-06T16:44:50.383+01:00</updated><title type='text'>Posso só dizer uma coisa?</title><content type='html'>Que o fim de semana seja pleno de amor!&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.bledsoeart.com/user/summer%20love.JPG" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111539404737107915?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111539404737107915/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111539404737107915&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111539404737107915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111539404737107915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/posso-s-dizer-uma-coisa.html' title='Posso só dizer uma coisa?'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111513846503891869</id><published>2005-05-03T17:37:00.000+01:00</published><updated>2005-05-03T17:41:05.040+01:00</updated><title type='text'>O tempo</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.grasp.ulg.ac.be/research/drop/drop_animation.gif" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;vai-se arrastando cruel, sádico, enquanto a urgência se instala nos nossos corações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111513846503891869?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111513846503891869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111513846503891869&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111513846503891869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111513846503891869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/o-tempo.html' title='O tempo'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111503547891748516</id><published>2005-05-02T13:02:00.000+01:00</published><updated>2005-05-02T14:30:03.330+01:00</updated><title type='text'>Que é do amor?</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.ednaschonblum.hpg.ig.com.br/rosa%20vermelha.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;À&lt;/span&gt; medida que se afastava sentia o olhar dele percorrer-lhe o corpo como se o tocasse, usurpador, com a envolvência de braços invisíveis que a agarravam e a puxavam para trás, de onde agora fugia, desesperada, frustrada até ao canto mais recôndito de seu ser.&lt;br /&gt;Procurava manter uma passada rápida e eficaz, que a levasse a desaparecer dali. Iria refugiar-se na escuridão que artificialmente lhe traria a noite, impedida de se ver ao espelho e encarar a infelicidade que a olharia de volta, sarcástica e desafiadora.&lt;br /&gt;Soltou um grito abafado por um soluço e as lágrimas venceram a sua falsa compostura e ele ficou a vê-la afastar-se ao sabor daquela torrente que assim a levava sacudida em rápidos e remoinhos, pela última vez.&lt;br /&gt;“que é do amor?” interrogou-se. Sentiu-se a navegar num torpor anestésico que não lhe permitia sentir dor. Não tinha percebido bem. Porque se afastara ela? Que fizera ele? E porque chorava? Ensaiou um movimento pretendendo segui-la, tomá-la no seu colo, na sua alma e no seu corpo como sempre fizera ao senti-la triste. Tinha de colar-se a ela como se o dia seguinte não existisse e nunca mais tivesse oportunidade de o fazer. Era assim que se amavam, em desespero, entrando um no outro pelo corpo, pelo espírito, por todos os sentidos, como se todo o mundo se desmoronasse lá fora e em breve também eles sucumbissem no abismo que restaria.&lt;br /&gt;Algo no seu corpo o impediu de se mexer. Ela tinha já dobrado a esquina do corredor e os seus passos haviam deixado de se ouvir. Toldado, confuso olhou em torno de si procurando uma razão para a sua paralisia de movimentos. Depois sentiu uma brisa fresca, muito fresca e tudo ficou escuro.&lt;br /&gt;Já sem lágrimas mas dorida de choro e sofrimento ela segurava uma rosa vermelha e olhava o chão como se conseguisse ver o magma da terra ou a fonte da vida e da morte.&lt;br /&gt;Pousou a flor sobre a campa e pensou para consigo “que será do amor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Pedra&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt; Pomes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111503547891748516?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111503547891748516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111503547891748516&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111503547891748516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111503547891748516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/05/que-do-amor.html' title='Que é do amor?'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111469896030854210</id><published>2005-04-28T15:33:00.000+01:00</published><updated>2005-04-29T12:12:01.513+01:00</updated><title type='text'>Episódio</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;A&lt;/span&gt;s agulhas penduradas nos ramos dos pinheiros executavam movimentos desenfreados empurradas pelo vento que naquele dia soprava sem norte investindo desgovernado.&lt;br /&gt;Daquele lado da janela tudo era acalmia. Emília observou o seu reflexo no vidro, quase tão nítido como num espelho. Levou a mão aos cabelos e acariciou com os dedos as madeixas que lhe recaíam sobre os olhos, azuis, dúbios e profundos como o oceano.&lt;br /&gt;Era bonita, de rosto oval e pericialmente simétrico do qual nem as expressões arregaçadas de um choro compulsivo apagavam a quase perfeição.&lt;br /&gt;Marco observava-a estendido na cama, segurando entre os dedos a beata do cigarro com que amaciava o gosto forte que lhe ficara na boca depois do sexo.&lt;br /&gt;Os lençóis escorregadios pendiam do colchão e iam espraiar-se, rendidos, aos pés dela, cúmplices do resfolegar dos corpos que agora se mantinham deliberadamente à distância.&lt;br /&gt;- És tão bonita! – Sem quaisquer defesas Marco sabia que não conseguiria, nem naquele momento nem em nenhum outro, abrir a boca para proferir algo mais desprovido de profundidade e mais pleno de rendição do que aquele “és tão bonita”.&lt;br /&gt;Emília sorriu para o vidro e voltou-se devagar, os dedos agitando-se procurando reproduzir o movimento das agulhas dos pinheiros. O olhar foi fixá-lo na pilha de livros que mantinha no chão junto ao leito, seis ou sete, dispostos sem método. A sua leitura de eleição velava-lhe todos os sonos, acompanhava todos os seus envolvimentos, os que se esgotavam na carne e os que lhe levavam o espírito, em noites que chorava silenciosamente, só ou sozinha ao lado de alguém.&lt;br /&gt;Ocorreu-lhe naquele momento a ideia, de que tantas vezes tentara libertar-se, que ela própria mais não era do que uma personagem de uma dessas histórias ficcionadas pela imaginação, não raras vezes perversa, de alguém.&lt;br /&gt;A realidade é que, a sua vida, via-a frequentemente escarrapachada ao longo de páginas e páginas de diferentes episódios, umas vezes primordialmente relatados, outras parcamente descritos numa prosa imbecil e vazia. Mas estavam lá, sempre, explícita ou implicitamente. Tivera mil nomes, fora macho e fêmea, estivera por todo o mundo, em todos os tempos, conhecera a felicidade e a miséria, entrara e saíra milhões de vezes de encadernações coloridas com letras grossas, sempre ela, sempre a sua vida.&lt;br /&gt;Aquele exacto instante, a janela, os pinheiros, Marco estendido na sua cama, os lençóis, tudo, tudo lhe parecia familiar, tirado de algum conto que lera algures… Puxa pela memória. Marco observa-a silencioso enquanto ela semicerra os olhos fitando os livros, e pensa para consigo que jamais poderá amar outros olhos como amava aqueles, insondáveis, dúbios, azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém pousa a caneta sobre o papel abandonando o texto rabiscado em gatafunhos quase ilegíveis. Levanta-se e sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111469896030854210?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111469896030854210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111469896030854210&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111469896030854210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111469896030854210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/episdio.html' title='Episódio'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111451039423312993</id><published>2005-04-26T11:10:00.000+01:00</published><updated>2005-04-26T14:02:11.263+01:00</updated><title type='text'>Estas palavras que escrevo transformam a realidade em pó</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.ademuzaventura.com/Images/cortado1_p.gif" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;N&lt;/span&gt;aquela manhã, garanto-vos, teria dado tudo o que tenho - que não é muito é certo, mas sempre é mais do que alguns desgraçados têm para oferecer - para ser uma mosquinha e ter podido presenciar o que se passou no salão. O que vos digo é que a vida daquela gente desfez-se numas poucas horas.&lt;br /&gt;Primeiro foi aquela visita inesperada do senhor professor. O homem meteu por ali adentro de semblante carregado e cartola na mão à procura da senhora sua irmã e nem sequer me deu os bons dias ou me perguntou pelo meu Francisco, como é de seu costume.&lt;br /&gt;Depois chegou o doutor Seixas da caixa mutuária e fecharam-se os três no salão. Estiveram lá dentro umas duas horas, o que me deixou em cuidados. Não se ouvia barulho nenhum. Pois já se sabe, toda a vida fui criada mas, ora essa, sou humana e naquela situação de extrema preocupação, bem entendido, o que é que eu havia de fazer? Encostei o ouvido à porta e dei uma espreitadela pela fechadura!&lt;br /&gt;Mas nada, não se deixavam ouvir.&lt;br /&gt;Entretanto foi o senhor Barão que apareceu afogueado, à procura do patrãozinho que tinha ido lá para baixo para o chaparral. Quando lhe disse que o menino não estava na casa quase me derrubou, fez um remeço, correu para a montada e desapareceu a galope pela alameda.&lt;br /&gt;Aquilo sim foi uma manhã agitada. Mas o pior estava ainda para vir. Apanhei de raspão enquanto, à porta, os senhores se despediam e trocavam cumprimentos, uma menção sobre os deves e os haveres da herdade e sobre como a “gravidade da situação” poderia originar medidas drásticas que o doutor Seixas gostaria de ver evitadas.&lt;br /&gt;Assim que o banqueiro virou costas a senhora dirigiu-se-me. Creio que quereria um copo de água, um chá ou coisa que o valha pois tornou-se lívida em três tempos e desfaleceu no chão do corredor.&lt;br /&gt;Logo após a chegada do médico da família, o doutor Menezes d’Almeida, ainda o tino bem não lhe tinha voltado ao normal, irrompe pela porta o meu Francisco, mais esbugalhado do que se tivesse visto o Demo.&lt;br /&gt;- Senhor professor, senhor doutor, acudam depressa, o patrãozinho está tombado na adega, sai-lhe sangue do peito, receio pelo pior!&lt;br /&gt;Uma tragédia. Veio a saber-se tempos mais tarde que o menino visitava a senhora Baronesa de madrugada, quando o senhor Barão saía para caçar lá para os lados da barragem, coisa que se repetia todos os dias.&lt;br /&gt;Foi o dia mais negro que aquela casa conheceu. Tudo se precipitou depois destes acontecimentos. Em menos de nada o senhor professor entregou-se ao vinho e perdeu tudo o que lhe restava, nem sabemos por onde anda, se é que ainda vive. A herdade acabou nas mãos do doutor Seixas. O Barão enlouqueceu e a Baronesa… Bem, não posso desdizer da Senhora Baronesa que nos deu trabalho a mim e ao meu Francisco. É uma senhora muito distinta. É lamentável que a saúde lhe falhe tão amiúde. Mas o doutor Menezes d’Almeida, médico muito dedicado, não descura a sua consulta diária.&lt;br /&gt;Quanto à senhora, pobrezinha, ficou muito debilitada e à mercê da sua própria sorte. Fomos buscá-la no dia em que lhe levaram a grossa chave do portão que dava acesso à alameda da casa grande. Estava sentada no chão, cheia de poeira e de olhar vazio, destroçada. Desde esse dia vive aqui connosco. Até se me aperta o coração, sempre alheada, não faz outra coisa senão escrever. Diz que há-de repetir a história no papel até que as forças lhe faltem. Qualquer coisa sobre transformar a realidade em pó…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111451039423312993?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111451039423312993/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111451039423312993&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111451039423312993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111451039423312993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/estas-palavras-que-escrevo-transformam.html' title='Estas palavras que escrevo transformam a realidade em pó'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111417734965700027</id><published>2005-04-22T14:40:00.000+01:00</published><updated>2005-04-22T14:45:11.913+01:00</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://www.terra.com/addon/img/mujer/belleza/1051bc4okjerw3p.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A expressão daquilo que as palavras não alcançam e que as lágrimas omitem&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111417734965700027?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111417734965700027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111417734965700027&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111417734965700027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111417734965700027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/silncio_22.html' title='Silêncio'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111409230150693599</id><published>2005-04-21T14:42:00.000+01:00</published><updated>2005-04-21T15:21:25.450+01:00</updated><title type='text'>Manuel da Fonseca</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.universal.pt/scripts/hlp/mm/FHLP193_z.JPG" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um autor que muito admiro e cujos cenários e personagens me povoam o imaginário e romanceiam o meu querido Alentejo, contando histórias de um tempo há muito ido mas cujas marcas ainda lá se encontram, escavadas na terra. Em 1981 o Jornal de Letras publicou &lt;a href="http://www.instituto-camoes.pt/arquivos/literatura/mfonseca40.htm" target="blank"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;esta&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; extraordinária reportagem sobre o escritor que então comemorava os 40 anos de vida literária, entre versos e narrativas.&lt;br /&gt;Manuel da Fonseca morreu em 1993 com 81 anos e deixou esta obra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa dos Ventos (poemas), 1940&lt;br /&gt;Planície (poemas), 1942&lt;br /&gt;Aldeia Nova (contos), 1942&lt;br /&gt;Cerromaior (romance), 1943O&lt;br /&gt;Fogo e as Cinzas (contos), 1951&lt;br /&gt;Seara de Vento (romance), 1958&lt;br /&gt;Poemas Completos, 1958&lt;br /&gt;Um Anjo no Trapézio (contos), 1968&lt;br /&gt;Tempo de Solidão (contos),1973&lt;br /&gt;Crónicas Algarvias (contos), 1986&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui fica a sugestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111409230150693599?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111409230150693599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111409230150693599&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111409230150693599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111409230150693599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/manuel-da-fonseca.html' title='Manuel da Fonseca'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111391740710289781</id><published>2005-04-19T14:20:00.000+01:00</published><updated>2005-04-26T14:03:29.503+01:00</updated><title type='text'>Melhor do que um cozido à portuguesa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;E&lt;/span&gt;u e o pai tínhamos aquele hábito. Todas as tardes metíamos a pé pela Estrada do Fidalgo até ao poço velho e depois em direcção ao miradouro da amendoeira. Era o momento do dia que reservávamos só para nós e em que a nossa cumplicidade estendia os braços para se espreguiçar sem pejo nem contenção.&lt;br /&gt;Riamos muito de histórias que inventávamos com personagens surreais e cenários incrivelmente fantasiosos e ele aproveitava para ir passando adiante o rendilhado de episódios, expressões, convicções e valores que tinha herdado dos seus pais e das gerações anteriores.&lt;br /&gt;A paragem obrigatória em frente ao maior eucalipto que alguma vez vi era cumprida com um rigor quase religioso. De frente para a frondosa e centenária árvore fechávamos os olhos e enchíamos o peito de ar. O pai chamava-lhe “inspirar vida” e eu achava sempre que ficava com os pulmões frios.&lt;br /&gt;O caminho até ao miradouro era portanto um passeio pela natureza, pelo passado e pelo imaginário.&lt;br /&gt;O miradouro da amendoeira era um local lindíssimo, muito bem cuidado. Sentávamo-nos no banco de pedra forrado com ladrilho azul e branco e em silêncio apreciávamos a mistura de cores que parecia saída da tela de um talentoso pintor. Então o pai explicava que o pintor era um senhor muito grande e poderoso sobre todas as coisas do céu e da terra, que tudo tinha inventado e pintado em apenas sete dias, e que por isso e por todo o amor que tinha pelos homens era muito respeitado e louvado e assim seria por todos os tempos.&lt;br /&gt;De mãos dadas regressávamos a casa com o coração cheio.&lt;br /&gt;Sabes, ele tinha uma expressão muito engraçada, que utilizava sempre que se sentia feliz. Dizia “esta vida sabe melhor do que um cozido à portuguesa!”&lt;br /&gt;E já te contei que os bisavôs eram tão trigueiros que todos os conheciam como o “casal queimadinho”?&lt;br /&gt;Cuidado querida, não tropeces, dá-me a tua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111391740710289781?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111391740710289781/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111391740710289781&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111391740710289781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111391740710289781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/melhor-do-que-um-cozido-portuguesa.html' title='Melhor do que um cozido à portuguesa'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111390238786487359</id><published>2005-04-19T10:17:00.000+01:00</published><updated>2005-04-19T10:22:09.513+01:00</updated><title type='text'>Visual Post</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://www.lev.pt/receitas/gelado%20fruits.JPG" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mime-se, você merece!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111390238786487359?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111390238786487359/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111390238786487359&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111390238786487359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111390238786487359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/visual-post_19.html' title='Visual Post'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111348963014214946</id><published>2005-04-14T15:38:00.000+01:00</published><updated>2005-04-26T14:06:05.666+01:00</updated><title type='text'>Apple pie e Alka Seltzer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;C&lt;/span&gt;orria o ano de 1991. Apesar de previsível, a notícia da morte do tio Américo veio abalar-nos a todos atirando-nos para aquele lugar onde a tristeza pela perda de um ente querido se debate com a confrontação do nosso próprio medo do implacável e inevitável fim. Pelo menos comigo foi assim.&lt;br /&gt;Lembro-me de vê-lo de mãos postas sobre o peito. Devido aos seus quase dois metros de altura tiveram de lhe flectir ligeiramente as pernas para que coubesse no esquife. A sua estatura acima da média conferira-lhe essa desvantagem na sua derradeira hora. Se bem que – lembro-me de pensar - que desvantagem pode haver em passar para o além com as pernas ligeiramente flectidas? Depois ocorreu-me uma piada mórbida qualquer que reprimi de imediato olhando em redor com receio de que os meus pensamentos se tivessem feito ouvir.&lt;br /&gt;A morte é sempre um espectáculo que nos deprime e ao mesmo tempo nos compraz – “antes ele do que eu”. As carpideiras que acompanharam o velório e o funeral eram disso o exemplo mais flagrante. O “que Deus o tenha em descanso” da D. Rosália, ilustrado por um breve, quase imperceptível, desviar do olhar, traduzia o seu mais íntimo “espero poder continuar por cá mais uns anos”. Já o Sr. Horácio da taberna, de ar pesaroso e consternado acariciava o bigode e pensava para com os seus velhos botões que este era um freguês que não voltaria a ver no seu estabelecimento.&lt;br /&gt;Grata pela companhia a viúva, Marília, que durante muitos anos fora emigrante em Londres, trouxera de casa a sua famosa &lt;em&gt;apple pie&lt;/em&gt; que, previdente, havia preparado para forrar os estômagos dos veladores mais estóicos que permanecessem no local durante a noite. - Saber receber é uma virtude, saber retribuir é virtude ainda maior – Dizia.&lt;br /&gt;A tarte, servida com uma calda de leite evaporado, era realmente deliciosa e mereceu os mais gulosos elogios.&lt;br /&gt;No dia seguinte chegaram as irmãs do defunto e vinham claramente determinadas a tomar nas mãos o curso dos acontecimentos. Fiquei estupefacta ao ver como uma delas se aproximou displicentemente da tia Marília pretendendo saber a que horas chegava o pároco pois queria recomendar umas leituras para as exéquias, ao passo que a outra se debruçou teatralmente sobre a urna num pranto que mais parecia que lhe arrancavam as entranhas a sangue frio.&lt;br /&gt;Assim foi durante todo o cerimonial. Lembro-me que procurei saber os nomes daquelas criaturas irreais, mas francamente não os retive. Optei por baptizá-las à minha maneira: Araci, a rainha do drama e Juraci, a beata frígida.&lt;br /&gt;Já em casa, findo que foi o ritual fúnebre e iniciado o recolhimento, fui dar com a tia Marília na cozinha, de copo na mão, observando atentamente o borbulhar de uma pastilha &lt;em&gt;Alka Seltzer&lt;/em&gt; que lá dentro se desfazia.&lt;br /&gt;Pousei-lhe a mão no ombro – Então tia, sente-se bem?&lt;br /&gt;Mirou-me por instantes em silêncio com os olhos vermelhos de tanto chorar, depois conseguiu esboçar um sorriso ao aperceber-se da caricatura e disse:&lt;br /&gt;- O teu tio dizia sempre que as irmãs lhe faziam azia!&lt;br /&gt;Abraçámo-nos e não sei se rimos ou se chorámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111348963014214946?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111348963014214946/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111348963014214946&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111348963014214946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111348963014214946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/apple-pie-e-alka-seltzer.html' title='Apple pie e Alka Seltzer'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111332313446358258</id><published>2005-04-12T17:23:00.000+01:00</published><updated>2005-04-26T14:07:28.766+01:00</updated><title type='text'>E tu Frank?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;B&lt;/span&gt;ateu com a porta de casa e premiu freneticamente o botão do elevador. Saltitou sobre uma perna e depois sobre a outra enquanto esperava. Saiu do prédio em passo rápido olhando o relógio que corria implacável. Apressou-se a caminho do trabalho. Atirou pelo vidro do carro alguns impropérios aos habituais prevaricadores e depois entregou-se às comuns reflexões sobre os problemas da vida e do trabalho e do dinheiro. Durante o dia acumulou três novas funções, entrou em confronto directo com o seu superior hierárquico, fez duas apresentações de projectos novos e várias chamadas internacionais “topo de prioridade”. Almoçou de pé e não lanchou. Fumou um cigarro à pressa à entrada do edifício &lt;em&gt;smoke free&lt;/em&gt;. Sorriu meia dúzia de vezes para os colegas que lhe atiravam informações banais sobre coisas que não tinha de – nem queria – saber.&lt;br /&gt;Por fim tirou os óculos e recostou-se na cadeira num breve momento de descompressão que precedeu o regresso a casa. Novas reflexões, novas preocupações, o coração exaltado, o alerta de todos os terminais nervosos, as mãos húmidas e a ansiedade palpitante... Aumentou o volume do rádio - “bolas, estou mesmo a precisar de férias!” Depois sorriu e disse em voz alta:&lt;br /&gt;- E tu Frank, o que achas?&lt;br /&gt;Das colunas de som veio a resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Come fly with me let’s fly, let’s fly away&lt;br /&gt;If you can use, some exotic booze, There’s a bar in far Bombay&lt;/em&gt;”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Pedra Pomes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111332313446358258?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111332313446358258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111332313446358258&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111332313446358258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111332313446358258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/e-tu-frank.html' title='E tu Frank?'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111297042760581563</id><published>2005-04-08T15:25:00.000+01:00</published><updated>2005-04-26T14:08:29.350+01:00</updated><title type='text'>O Presente do pai</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;O&lt;/span&gt; lugarejo tinha um aspecto bastante mais desolador naquela altura do ano. A fiada de casas cal e azul suspirava de solidão à beira daquela estrada perdida entre o cinzento do céu e o castanho da terra. Nem uma alma se via. O fim de tarde melancólico prenunciava uma noite vazia, silenciosa.&lt;br /&gt;Inspirando o ar húmido e o cheiro que deita a erva depois do aguaceiro e que sempre lhe lembrava o colo da avó Jacinta, vá-se lá saber porquê, Rogério apeou-se da motorizada velha e barulhenta do seu pai.&lt;br /&gt;Em dias como aquele o regresso a casa depois da escola representava para ele uma quente sensação de aconchego. Era uma família normal, se é que há famílias normais. Gente humilde, muito estimada pela pequeníssima comunidade. Os seus pais eram afectuosos e o seu lar, embora modesto, constituía o seu melhor refúgio.&lt;br /&gt;Naquela noite sabia que não haveria frio pois o braseiro crepitava alegremente. Não haveria fome porque na mesa estaria a sopa de agrião que tanto apreciava. Não haveria sequer medo do escuro porque a pequena candeia iluminar-lhe-ia o sono. Naquela noite Rogério sentia-se especial e foi sentindo-se assim que recebeu das mãos do pai o pacote que lhe era destinado.&lt;br /&gt;Seus olhos brilhavam tanto que dir-se-ia que as lágrimas iriam saltar-lhe a qualquer momento. Com uma certa urgência e ao mesmo tempo um certo desejo de prolongar um pouco mais aquele momento manuseou o pacote procurando a melhor extremidade para o abrir. De dentro retirou um maço de folhas de papel – a sua inscrição na Filarmónica de Vila Pequena.&lt;br /&gt;Iria ser músico. Sim, iria tocar flauta e clarinete e trompete ou trombone. Concertina e acordeão e ferrinhos ou bombo. Mas mais importante que tudo isso, ficaria mais próximo do seu sonho, o magnífico piano de cauda. Havia já muito tempo que o venerava. Criara por ele uma secreta adoração que cultivava nas tardes recreativas de domingo. Sem nunca se aproximar demasiado olhava-o de soslaio, escondia-se ao dobrar de uma ombreira e ficava a escutá-lo mergulhado em deslumbre.&lt;br /&gt;Agora iria aproximar-se com respeito, saudá-lo com toda a deferência de que fosse capaz, depois sentar-se-ia à sua frente e admirar-lhe-ia a elegância. Sabia que ele iria gostar de si e que juntos inventariam histórias maravilhosas que contariam melodicamente a quem quisesse ouvi-las. Mal podia esperar pelo seu primeiro dia na Filarmónica.&lt;br /&gt;Embrenhado na antecipação Rogério só conseguiu sorrir e, como se caminhasse sobre nuvens, foi dedilhando suavemente o ar à sua frente a fechar-se no seu quarto. Pelo caminho ainda ouviu o pai dizer-lhe ternamente:&lt;br /&gt;- Feliz aniversário meu filho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111297042760581563?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111297042760581563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111297042760581563&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111297042760581563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111297042760581563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/o-presente-do-pai.html' title='O Presente do pai'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111277773552889794</id><published>2005-04-06T09:51:00.000+01:00</published><updated>2005-04-26T14:10:41.416+01:00</updated><title type='text'>Memórias de Verão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="float:left;margin-top:0px;color:black;width:38px;font-size: 56px; line-height:48px;font-family:"times","Times New Roman";"&gt;V&lt;/span&gt;inha o Verão e era sempre a mesma coisa – “estamos a ver a praia, estamos a ver a praia” – uma cantilena que se repetia interminavelmente naquele tom de voz, três notas acima do razoável, que só as crianças conseguem reproduzir e que enlouquecia os adultos, principalmente o pai que tentava concentrar-se simultaneamente na condução e no retrovisor procurando, escusadamente, controlar a euforia que se instalava nos nossos corações pequeninos em fato de banho.&lt;br /&gt;Era assim durante cerca de 2 Km, desde que o automóvel entrava naquela estrada que parecia acabar no mar. Depois era o tirar as “embambas” do porta-bagagens, como diziam os adultos, tudo a rigor, chapéu de sol aos gomos de duas cores, sacolas para as toalhas, sacolas para os brinquedos, a mala térmica com o almoço e os variados lanches, a piscina insuflável e o bebé. Por esta ordem.&lt;br /&gt;As patilhas, os fatos de banho coloridos, os cabelos compridos e os óculos de sol &lt;em&gt;Ray Ban&lt;/em&gt; de grandes lentes, o &lt;em&gt;Ford 12M coupé&lt;/em&gt; verde-garrafa, os copos de iogurte que completavam as nossas brincadeiras como se fossem formas de bolinhos e a praia, que na altura estava longe de conhecer a agitação dos Verões de hoje em dia…&lt;br /&gt;Encontrei as fotografias há umas semanas enquanto procurava outra coisa qualquer, mais de 20 anos depois. Aqueles momentos que nos enchiam de felicidade ficaram assim registados, mas um dia a sua memória desaparecerá. Que a vida possa continuar a renovar-se a cada dia, que os nossos filhos possam ter momentos semelhantes de singela felicidade, que venha o Verão e todas as estações do ano e que haja sempre a recordação de uma cantilena como aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Estamos a ver a praia, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;estamos a ver a praia,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;estamos a ver a praia&lt;/span&gt;….”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111277773552889794?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111277773552889794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111277773552889794&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111277773552889794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111277773552889794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/memrias-de-vero.html' title='Memórias de Verão'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111271248262855459</id><published>2005-04-05T15:38:00.000+01:00</published><updated>2005-04-06T09:57:37.960+01:00</updated><title type='text'>“Parto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O esforço de todos os dias, as pingas de suor no rosto, o brilho de esperança escondido nos olhos lacrimantes e a dor aguda de tanto empurrar o destino só poderão resultar no começo de uma nova vida. Não pode ter sido em vão.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Fevereiro de 2004 escrevi isto, &lt;a href="http://www.banhodeespuma.blogspot.com/2004_02_01_banhodeespuma_archive.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sorrio ao perceber que a distância deste momento que aqui recordo é muito mais do que temporal e que por isso, efectivamente, nada foi em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;Pedra Pomes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111271248262855459?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111271248262855459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111271248262855459&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111271248262855459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111271248262855459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/parto.html' title='“Parto'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11918974.post-111262416414492793</id><published>2005-04-04T23:12:00.000+01:00</published><updated>2005-04-06T09:57:51.326+01:00</updated><title type='text'>Partir Pedra...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;... ou por outra, começar do zero, começar de novo... simplesmente começar... ou recomeçar... pois, não vou conseguir definir.&lt;br /&gt;Procurei mil pretextos para criar um novo blogue, achei que deveria ter um pretexto específico, depois decidi que não, bastou-me sentir a enorme saudade de escrever algo que possa ser lido por outros.&lt;br /&gt;Sem textos prontos para inserir, sem temática predefinida, sem a certeza de que vá resultar... vamos lá partir pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Pedra Pomes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11918974-111262416414492793?l=blog-de-pedra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/feeds/111262416414492793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11918974&amp;postID=111262416414492793&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111262416414492793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11918974/posts/default/111262416414492793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blog-de-pedra.blogspot.com/2005/04/partir-pedra.html' title='Partir Pedra...'/><author><name>Pedra Pomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13942934736573669929</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://www.inlisboa.com/newsletter/exposicao_crato/alentejo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
